Foi com profunda tristeza que a equipe da Maso,  assim como a população baiana tomou conhecimento do falecimento  do  historiador, gestor público  e principalmente do militante

Ubiratan Castro.Imagem

Foto:Salete Maso/www.masomultimidia.com.br

 

  O historiador morreu na manhã desta quinta-feira (3), no Hospital Espanhol, onde esteve internado desde o dia 30 de setembro, na capital baiana. Ele sofria de insuficiência renal. Seu corpo foi velado no Palácio da Aclamação, no Campo Grande.

 

Na manhã desta sexta-feira (4) por volta das 10h, de acordo com informações da gerência do cemitério, familiares e amigos do historiador participaram da cerimônia de despedida, em seguida seu corpo foi encaminhado para a cremação, no Cemitério Jardim da Saudade.

Ubiratan  Castro ou professor Bira, como era conhecido por todos, não era simplesmente um estudioso  das  questões sociais e  do negro na sociedade brasileira, ele  era um mestre na arte de transmitir  e compartilhar o conhecimento.

 

Sua participação em congressos  e conferências  era precedida de expectativa por parte dos  expectadores, uma vez que , com  maestria,  conduzia a platéia por uma viagem pela história da Bahia.

 

Em uma das últimas conferências  que profereiu em 2012,  no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, durante as celebrações   do centenário de nascimento do governandor Antônio Balbino, o professor Bira, fez uma incursão pela historia da  Bahia desde sua fundação  até o processo de industrialização  implementado durante o governo Balbino.

 

 

Ativismo – À frente da Fundação Cultural Palmares, Ubiratan Castro de Araújo teve o mérito de acelerar as certificações de auto-definição das comunidades remanescentes de quilombo, a fim de viabilizar aplicação do artigo 68 das disposições transitórias da Constituição de 1988 e do Decreto 4887/2003.

Biografia

 Nascido em Salvador, em 22 de dezembro de 1948, Ubiratan Castro de Araújo exercia, desde 2007, o cargo de diretor-geral da Fundação Pedro Calmon. Em sua formação acadêmica, era doutor em História pela Université Paris IV-Sorbonne, Mestre em História pela Université Paris X-Nanterre, licenciado em história pela Universidade Católica do Salvador e bacharel em Direito pela Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Membro da Academia de Letras da Bahia, ocupou a cadeira 33, cujo patrono é o poeta abolicionista Castro Alves. Foi diretor do Centro de Estudos Afro-Orientais da Ufba,  presidente do Conselho para o Desenvolvimento das Comunidades Negras de Salvador (CDCN) e irmão professo da Venerada Ordem do Rosário de Nossa Senhora dos Homens Pretos a Portas do Carmo, localizada na Igreja do Rosário dos Pretos.

No primeiro mandato do presidente Luís Inácio Lula da Silva (entre 2003 e 2006), Ubiratan Castro de Araújo trabalhou com o ministro da Cultura, Gilberto Gil, presidindo a Fundação Cultural Palmares. Desde 2007, integrou o Governo Jaques Wagner, sendo diretor-geral da FPC. Entre os prêmios e títulos que recebeu, destacam-se a Medalha do Bicentenário da Restauração Portuguesa da Academia Portuguesa de História, o Troféu Clementina de Jesus da União dos Negros pela Igualdade (Unegro) e a Medalha Zumbi dos Palmares da Câmara Municipal de Salvador.

Recebeu a Comenda da Ordem Rio Branco, condecoração oferecida pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

 Obras: A Guerra da Bahia, Salvador Era Assim – Memórias da Cidade, Sete Histórias de Negro e Histórias de Negro.

 

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